domingo, 9 de outubro de 2011

_Olá, tudo bem com você?
_Tudo sim e com você?

Tudo bem, uma das mentiras mais utilizadas diariamente. Nem metade das pessoas que dizem que estão bem, estão de verdade. Mas é muito melhor responder isso e continuar uma conversa do que ser bombardeado de perguntas do porquê não estar bem. 
Não fazemos isso porque queremos esconder nossos sentimentos, mesmo que isto raramente aconteça, mas porque não gostamos de expor nossos problemas, odiamos pessoas perguntando e tentando se fazer de preocupados com a situação.
Se não é por esse motivo, é porque muitas vezes cansamos de reclamarmos de problemas e ouvirmos um "o que aconteceu?" falso, que após termos respondido a pergunta, é logo camuflado por assuntos fúteis ou que se relacionem a vida daqueles que nos ouvem.
Recebemos um "o que aconteceu?" sem receber depois de respondida a questão, a pergunta "Você precisa de alguma coisa?" ou um "quer que eu te ligue ou vá ai?". O que recebemos é o silêncio ou um relato pessoal sobre o que aconteceu com o outro. Mas conosco que realmente queremos ser ouvidos quando não estamos bem, ninguém pergunta nada. 
Se não somos bombardeados com a vida do outro e suas ações, recebemos desculpas do tipo "tenho que ir, depois a gente se fala. Se cuida", ou outras tantas desculpas que se forem para ser citadas, não dariam fim a este texto. Ninguém se importa com a vida dos outros, vivem enclausurados em seu egoísmo e se esquecem que vivem em mundo que é repleto de pessoas e que são elas que o fazem viver.
Seja avô, mãe, irmão, amigo ou sabe-se lá quem, todos os que rodeiam as pessoas são importantes, mas são esquecidos, pois todos acreditam que sua vida é mais importante que a do próximo.
São poucas as pessoas que se importam, e assim agem porque o que o outro sente as afeta, continuando por muito a serem as mesmas egoístas de sempre. O termo altruísmo, o de se importar com todos sem desejar nada em troca ou porque faz parte de suas vidas é quase nulo, salvo raras exceções.
Essas exceções são muito difíceis de serem encontradas, mas existem.
Existe naquele que pergunta "o que aconteceu?", porque realmente se importa e não porque as regras morais lhe impõem isso. Naquele que ouve e tenta fazer algo a respeito ao invés de achar uma desculpa ou um outro tema para a conversa. Naquele que mesmo que não seja tratado bem pela pessoa que está triste, continua tentando ajudar, mesmo que esta ajuda de não lhe traga algum proveito pessoal.
São raras, mas poderiam ser mais, se todos que perguntassem "Tudo bem?" a outra pessoa, estivessem realmente interessados em ouvir sua resposta.



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