sábado, 29 de janeiro de 2011

É tão engraçado quando muito se escreve sobre algo e no fundo sempre achamos que deixamos algo para trás, mas sempre que termino de escrever sobre algo que tanto acreditava saber, tenho uma sensação estranha de que ainda falta muita coisa, mesmo que muitos digam que o que escrevi está ótimo. Talvez seja o jeito que eu escrevo, talvez seja a crença de sempre acreditar que deve haver mais, mas sempre parece que falta algo. Mas será que só possuo essa sensação quando termino de escrever algo? Não, sinto a mesma coisa em todos os momentos da minha vida. Sempre parece que falta algo, um ponto de interrogação a cada nova fase, uma vírgula, uma exclamação, um isso, um aquilo, mas sempre parece faltar algo antes do ponto final. Sempre falta algo, e esse algo que falta parece fazer toda a diferença, mesmo que quando ainda escrevia parecia completo. E se o que falta fosse desvendado antes do final do texto? Será que tudo seria diferente, ou só demoraria mais para acabar? Existem textos pequenos, artigos, ensaios, monografias, livros e outros textos mais longos ainda em nossa vida, mas porque cada um parece ter suas paginas contadas tão exatamente? Será que nunca podemos prolongar algo bom que existe, por que tudo sempre tem seu tempo contado? Por que não podemos tornar imortais personagens de nossa historia? Por que uma hora eles têm que desaparecer? Certa vez conheci uma personagem que parecia não ser desse mundo, mas ela desapareceu a nove anos, deixando apenas as paginas onde sua história estava escrita, mas que nunca mais será reescrita. Conheci muitos heróis, vilões, e personagens que não pareciam nem ter sentido na história que escrevia, mas com o tempo percebi que eles tinham um lugar só deles nas linhas que escrevo. Falando em heróis, conheci um herói há oito anos, mas ele ficou apenas como lembrança há quatro anos.  Esse sim era um herói, herói não aquele com super poderes, mas aquele que achava forças de onde os outros nem vem, de onde ele nem tinha para tentar estar na história de muitos, infelizmente o enredo pediu seu fim, mas ele foi o herói daquela história, e referencia a milhares de outros heróis que iriam surgir. É tão engraçado as histórias que escrevemos e também as histórias que fazemos parte, mas como toda a história o fim sempre existe, personagens aparecem, outros desaparecem, somente um personagem sobrevive a todas as histórias que escrevemos, nós mesmos. Mas também estamos destinados a desaparecer, pois todo autor uma hora se cansa de escrever. Se destas histórias escritas por uma autora tão maluca podiam ser diferentes, ninguém poderá saber, mas a autora das histórias pode ao menos esforçar-se cada vez mais na trama de suas histórias, reconhecendo cada personagem como realmente o que é,  fazendo que dessa forma antes de se cansar de escrever, possa saber e lembrar-se das histórias que realmente valeram a pena.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"A evolução da espécie está no silêncio do pai que por ordem divina ergue a faca para matar seu filho e a detém. O silêncio que cada homem e cada mulher conhece em sua vida pessoal e coletiva, um silêncio desafiador que responde a um impulso interno de sagrada desobediência, uma desobediência que o homem sonha em integrar a paz. A paz que não se fará no estabelecimento de um mundo ideal para um corpo imutável, não se trará através de um clone, mas através de um mutante porque o nosso ser é um ser em transformação, tem alma e não uma alma boazinha como nos fizeram acreditar, mas uma alma profundamente imoral. E isso não tem nada de satânico, é que transformaram satã num espantalho que nos afasta das mudanças, satã é tudo aquilo que nos embota os sentidos e nos embota a consciência, é que é mais fácil e conveniente apresentar satã como um possível resultado do risco do que o apresentar também como pesadelo da acomodação.Se os que mudam radicalmente de emprego, Se os que refazem relações amorosas, se os que perdem medos, se os que rompem, se os que traem, se os que abandonam os vícios, se esses experimentam a solidão, é possível então que esta solidão seja quebrada num encontro com outros que conheçam essas experiências." ( A alma imoral - Peça Teatral com Clarice Niskier)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Somos quem queremos ser?

Nos últimos anos ando me perguntando constantemente quem realmente sou, talvez seja a lavagem cerebral que acabo sofrendo devido ao meu curso, mas acredito que todos em algum momento chegaram a fazer a mesma pergunta a si mesmos... Quem sou eu? Bom, essa é uma pergunta difícil de responder, mas mesmo assim conseguimos achar uma resposta, mesmo que supérflua para ela. Entretanto existe outra pergunta que parece também ser algo da mesma origem e que parece ser mais difícil de obter resposta: Quem sou é o que realmente quero ser? Sei que parece estranho perguntar isso, pois acreditamos que quem somos é o queremos ser, mas eu não acho que as coisas sejam bem assim.Diariamente somos sufocados por milhões de regras que devemos seguir, milhões de dedos nos apontando e dizendo o que devemos fazer e o que não devemos, que muitas vezes acabamos por ser não ser realmente o que queremos ser. Quem nunca acabou por não fazer algo porque ficou com medo do que os outros iriam pensar? Do que iam dizer? Geralmente as pessoas deixam de fazer muita coisa com o medo do que os outros irão dizer, fazendo com que muitas vezes aceitemos isso como algo tão normal, que nem percebemos o quanto nossas escolhas não são realmente nossas. Existem tantas pessoas que acreditam serem os melhores conselheiros para nos dizer o que devemos fazer que me pergunto constantemente qual o segredo que elas tem para saberem o que cada um deve fazer... E sabe qual a resposta que encontro? Nenhuma, nada que faça com que elas possuam uma capacidade de nos dizer como devemos ser. Entretanto sempre haverão pessoas que acreditaram terem essa capacidade e mesmo que tentemos fazer com que elas abram seus olhos e percebam que as coisas não são assim, será uma luta em vão, pois elas não compreenderão e seremos nós os estranhos que não se encaixamos no padrão. Mas o que é estranho realmente? Acho mais estranho uma pessoa que acredita no que lhe disseram ser certo do que buscar uma resposta subjetiva a isso, estranho é aquela pessoa que vai todo dia ao seu emprego sem ao menos perguntar se é bom ou se é ruim, que critica os outros que vivem de modo diferente, mas que no fundo gostaria de ser um pouco mais corajoso para que poder fazer as mesmas coisas... Estranha é aquela pessoa que se prende a uma pessoa só por conveniência, mas que no fundo já não suportar nem ouvir a sua voz, aquele que se olha no espelho tentando buscar sinais da idade e ao encontrá-los não sabe nem ao menos dizer se as marcas que seu rosto trazem consigo são boas ou são ruins...Às vezes orgulho-me de ser diferente destas pessoas, mas outras vezes pareço tão igual a elas que nem ao menos distingo elas de mim... Mas realmente quero me tornar como elas, não, muito obrigada, eu não quero... Não quero ser mais uma marionete de sei lá o que eles seguem, eu quero levantar a cabeça e dizer: Sim, eu sou o que eu quero ser e não o que os outros querem que eu seja, pois como já ouvi várias vezes: para nascermos e para morrermos não temos ninguém que nos diga como fazer isso e, se essas duas coisas são o essencial da vida e as descobrimos sozinhas, também somos capazes de descobrir quem somos sem a ajuda de ninguém.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ouvi ela ontem e sei lá  porque resolvi postá-la. ^^
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito. (Florbela Espanca)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Muitas vezes acreditei que tudo estava onde deveria estar, mas logo percebi que não era a verdade, porque ainda faltava muita coisa que aparece de repente em nossa vida. Uma nova casa, um novo emprego, um novo começo, novas pessoas, e então acredito novamente que tudo esta certo, até isso mudar mais uma vez... Soa estranho, é algo diferente e às vezes chega a assustar, pois o novo sempre é incerto... Mas dessa vez a novidade parece ser tão boa, que todo medo parece se dissipar no ar. Fico muda, sem saber o que fazer, há tantas coisas em que acreditei e defendi e agora me parecem ser tão sem sentido, há novas idéias, há uma nova visão sobre o que vi e o que quero. Não, não me venha dizer que estou louca em dizer que estou feliz com essa mudança, pois é o que mais me sinto no momento, talvez não tanto pela mudança, ma pela causa dessa mudança. Se há dor nesse trajeto por perder os meus conceitos antes tão bem estabelecidos? Sim, ela existe, mas ela é tão pequena perto do resto, que quase  nem a percebo comigo. Medo? Ele também esta presente, mas não medo pelo novo que esta aqui, mas por perde-lo, por deixar ele escapar de perto de mim, este novo que chegou falando coisas tão doces e que esta a cada dia me conquistando. Se o novo continuará sendo bom? Ah, isso é difícil responder, mas quem sabe sobre o novo? Ele sempre nos traz surpresas!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo de chuvas tempestivas, nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite." (Clarice Lispector)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Diante dos fatos que percebo diariamente, eis que não consigo esconder mais a minha decepção por algumas pessoas que conheço. Como é estranho o fato de que todos estão sempre julgando os outros pelas suas atitudes, como se nos quisessem dizer o que deve ser feito e o que não se deve fazer. As pessoas sempre tentam nos mostrar o que é certo e o que é errado, mas realmente quem é que precisa de alguém que nos diga isso? E como realmente podemos saber que somos capazes de ditar o que é o certo e o errado para os outros se muitas vezes não sabemos o que é certo para nós? Há pessoas que acreditam ser donas da verdade, mas o que realmente é a verdade? Sinceramente eu não sei o que ela é e parece que esta é mais uma daquelas perguntas que não possui respostas. Não consigo compreender qual o processo que nos leva a saber o certo e o errado em sua totalidade e assim poder impor isto os outros, algo que sempre entendi ser completamente subjetivo. O que me parece claro na realidade, é que estas pessoas que acreditam possuírem os conceitos certos que todos devem seguir, são pessoas ainda estão na menoridade tal como Kant diz, são pessoas que acreditam em verdades já impostas pelo sistema, e estão tão submissas a essas verdades que estranham quem não as segue. Isto não é um problemas atual, este é um problema com mais de dois mil anos, e mesmo sendo tão velho ele ainda não foi resolvido. O que mais me indigna não é tanto o caso de seguirem estes mesmos conceitos, mas a idéia de pessoas que julgam-se tão inteligentes caírem na mesma cilada que os outros e não perceberem o quanto suas atitudes são retardatárias  e infantis. Não sei se é maluquice minha, mas não consigo estar dentro desse padrão que todos querem, parece tão estranho acreditar em respostas dadas por sei lá quem, parece tão mais convidativo acreditar em respostas em que eu mesma consegui para minha vida do que estas  prontas, elas são minhas, o certo, o errado, o bem e o mal... Tudo meu, tudo o que consegui com o meu esforço, podem me chamam de estranha, de maluca, de o que quiserem me chamar e sabe por quê?  Porque não necessito de alguém que nunca pensou no novo porque se acomodou com o que tinha, pelo que seus pais ou seja quem for disse um dia ser o certo, mas prefiro ser eu do jeito que sou, porque o que sou conquistei através de procurar me entender, e não como muitos que preferem sempre serem marionetes a vida toda de alguma coisa em que lhes colocaram ser o que as rege, governo, sociedade, Deus, o diabo ou outra qualquer entidade que acreditar ser quase que sagrado... Se for assim, sou ateu, sou "à toa", sou apenas o que eu quiser, mas crente que o que sou é o estranho mais interessante que gostaria de ser.

sábado, 8 de janeiro de 2011

BOÉCIO E A MÚSICA: DE INSTITUTIONE MUSICA


A música é parte de nós e enobrece ou degrada o nosso comportamento. (Boécio)

            Boécio pode ser considerado sem duvida o maior filósofo e uma das mais importantes personalidades e mais respeitada na Idade Média no que se trata de música. Sua obra “De Institutione Musica”, escrito no início do século VI, quando este ainda era jovem, é uma das obras mais importantes acerca da música e até hoje é estudada, devido ao seu conteúdo riquíssimo acerca do assunto. Entretanto, infelizmente, não existe uma versão em português da obra, apenas em alguns idiomas, incluindo o inglês.  O fato é que, com um livro dessa importância, é de se lamentar que não possamos desfrutá-lo, apenas podendo citá-lo por artigos e fontes que falem sobre ele.
            O livro De Institutione Musica, ao contrário do que muitos dizem não é uma obra completamente de seu autor, mas a maioria dele nada mais é do que uma compilação de algumas fontes gregas de que o autor dispunha principalmente um longo tratado de Nicómaco e o primeiro livro da Harmonia de Ptolomeu.
            Essa obra foi tão bem aceita na Idade Média que, mesmo os leitores medievais não perceberam o quanto a mesma se contradizia, pois enquanto nos três primeiros livros da obra eram defendidos completamente os argumentos pitagóricos acerca da música, o quarto continha argumentos de Euclides e Aristóxeno e o quinto era baseado em Ptolomeu, este que defendia idéias completamente antipitagóricas. Mesmo com argumentos tão contraditórios, alguns estudiosos comentam como sendo uma jogada de Boécio, para mostrar como mesmo contraditórias elas conseguem unir-se e tornar-se uma coisa só, a mensagem que quase todos os leitores compreendiam era de que a música era uma ciência do número e que os quocientes numéricos determinavam os intervalos admitidos na melodia, as consonâncias, a composição das escalas e a afinação dos instrumentos e das vozes.

Mas afinal, o que Boécio entendia por música?

“O músico é aquele que refletiu por mesmo sobre a ciência da canção, não pela servidão do trabalho, mas pelo ato de contemplação.” (De Institutione Musica – Boécio, século VI d.C)

            Boécio entendia a música como sendo a disciplina que se ocupa a examinar minuciosamente a diversidade dos sons agudos e graves por meio da razão e dos sentidos. Para ele, existem três tipos de pessoas ligadas a ela, que são as que executam os instrumentos, as que compõem as canções e as que julgam os trabalhos instrumentais e as canções.
            As pessoas que se ocupam dos instrumentos e que passam seu tempo os executando são, a seu ver, pessoas separadas da intelecção da ciência musical, pois essas não fazem uso da razão, apenas da prática e nela estão presas.
            As do tipo que compõe as canções são os poetas, mas as compõe apenas por um instinto natural e não pela razão, sendo também escravas da prática, tal como as que se ocupam dos instrumentos.
            Já as pessoas que se ocupam de julgar os instrumentos e as canções, essas sim fazem o uso da razão para tal atividade, avaliando ritmos, melodias e canções como um todo, e a totalidade sempre é fundada na razão. Apenas a este tipo de pessoas, Boécio atribui como sendo músicos, pois estas não prendem-se a apenas a algo, mas julgam num todo, através da razão, pois possuem a faculdade de julgar, refletindo de uma forma apropriada à música, aos modos e ritmos, às classes de melodias e suas combinações e também as canções dos poetas. Nesse grupo encaixam-se os filósofos, pois estes são críticos e também apresentam a faculdade de formular conceitos acerca das coisas, assim como da música.
            A respeito do tipo de música existente, Boécio também define três tipos, sendo elas: música mundana, música humana e música instrumental.
            A música mundana é uma música macro cósmica e por isso uma música que não podemos escutar, ela que se refere à harmonia em seus fundamentos, é a que rege o movimento dos astros, a mistura dos elementos e a sucessão das estações.
            Já a música humana é o acordo entre a razão e a sensibilidade, o que faz o equilíbrio entre o corpo e a alma, pois enquanto concretização da música mundana reflete no homem a harmonia maior. É uma música micro cósmica e, assim como a mundana, rege a harmonia, entretanto na música humana, esta harmonia se revela através da consciência reflexiva, da introspecção intelectual, porque é “a condição essencial do acordo ontológico entre o sujeito conhecedor e o objeto conhecido” (Edgar De Bruyne).
            Tanto na música mundana, quanto na humana o som se identifica com o conceito de harmonia e o ouvir acaba por se tornar desnecessário. Já na música instrumental, o som é completamente necessário, mas o som que esta produz nada mais é do que a continuação das outras duas, entretanto esta, mesmo que comece da mesma maneira, tem um sentido mais relevante.
            

O homem atual e seu retrocesso no pensar por si mesmo

            No mundo em que vivemos acabou virando um ato comum as pessoas seguirem o que as outras pessoas dizem ser certo e verdadeiro e em não se incomodarem em buscar por elas mesmas a verdade das coisas. Entretanto por que isto acontece? Será que todas as respostas já foram encontradas para que possamos confiar no que se diz? Mas se todas as verdades já foram encontradas, por que ainda existem pessoas que procuram respostas?
            Atualmente, somos são atarefados pelos afazeres do nosso dia-a-dia que acabamos por perder o que os gregos nos deixaram de “herança”: a reflexão sobre as coisas. Até mesmo quando temos tempo livre para refletir preferimos utilizar o nosso tempo com outras coisas, deixando de lado essa questão, como se ela não fosse importante.
            Somos todos os dias bombardeados por conceitos já formados pelo meio onde vivemos, nossa família, amigos, pessoas “mais instruídas” como se julgam ou nós as julgamos assim, por autoridades religiosas, culturais, entre outros, que acabamos nos acomodando com essas verdades como se elas fossem construídas por nós mesmo.
            Mas como acabamos por perder os nossos valores a aceitarmos valores já premeditados por outros? Nietzsche (1844-1900) em seu livro “Genealogia da moral” coloca entre os principais culpados dessa transvaloração de valores a cultura religiosa judaica e cristã, pois são estas que nos colocam a idéia de bem e mal na sociedade em que vivemos, fazendo que não sejamos nós que decidimos se nossos atos foram bons ou maus, pois não refletimos sobre eles, pois estes já estão criados. Se formos pensar sobre assunto, vemos que de nada é falsa essa afirmação, pois se nos perguntassem sobre como julgamos algo bom e algo ruim, logo perceberíamos que são as regras de uma cultura passada que nos utilizamos para o caso.
            Outro ponto que nos faz aceitar idéias que não são nossas é o nosso desinteresse pela reflexão dos problemas que temos, a “preguiça” que o homem acaba por carregar consigo por já ter tudo pronto. Um filósofo, otimista, a meu ver sobre o assunto, é Immanuel Kant (1724-1804) ao escrever um artigo respondendo a pergunta “O que é o esclarecimento?”(1783), onde o mesmo escreve sobre uma época que esta chegando onde os homens pararam de pensar com a ajuda dos outros e serão responsáveis pelo seu próprio entendimento. Tentando explicar o que faz com que o homem necessite de outros para executar tal tarefa, Kant nos diz:

A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma parte tão grande dos homens, libertos há muito pela natureza de toda tutela alheia (naturaliter majorennes), comprazem-se em permanecer por toda sua vida menores; e é por isso que é tão fácil a outros instituírem-se seus tutores. É tão cômodo ser menor. Se possuo um livro que possui entendimento por mim, um diretor espiritual que possui consciência em meu lugar, um médico que decida acerca de meu regime, et c., não preciso eu mesmo esforçar-me. Não sou obrigado a refletir, se é suficiente pagar; outros se encarregarão por mim da aborrecida tarefa. Que a maior parte da humanidade (e especialmente todo o belo sexo) considere o passo a dar para ter acesso à maioridade como sendo não só penoso, como ainda perigoso, é ao que se aplicam esses tutores que tiveram a extrema bondade de encarregar-se de sua direção. Após ter começado a emburrecer seus animais domésticos e cuidadosamente impedir que essas criaturas tranqüilas sejam autorizadas a arriscar o menor passo sem o andador que as sustenta, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça se tentam andar sozinhas. Ora, esse perigo não é tão grande assim, pois após algumas quedas elas acabariam aprendendo a andar; mas um exemplo desse tipo intimida e dissuade usualmente toda tentativa ulterior. (2010, O que é o Esclarecimento?, p.1,2)

  
 Há algum tempo o homem cansou de pensar por si mesmo e decidiu acreditar no que já está imposto. E como bem se pode perceber, isto não é algo fácil de romper, pois isto esta impregnado de uma forma tão profunda em nosso cotidiano que as pessoas que seguem esse “raciocínio” não percebem o quanto estão erradas e assim “pensar”. Isso é tão profundo que é apenas pararmos para analisar nas escolas logo percebemos isso claramente, onde ao questionar à um aluno sobre a importância da disciplina de filosofia, geralmente este diz que é perca de tempo.
            Essas pessoas são aquelas mesmas pessoas que vivem na caverna que Platão relata na alegoria, são pessoas com medo de buscar a verdade. Estas preferem viver nas sombras, pois lá é mais cômodo, pois lá não sentem-se incomodados e podem continuar sua vida como se as questões que o mundo nos dita nem a elas pertencessem.
            São estas as pessoas do mundo da doxa, aquelas que vivem de acordo com o ditado “Deixa a vida me levar”, sem ao menos perceberem o potencial que o ser humano tem, potencial este que séculos atrás estavam em seu ápice, e que pareciam que não ia retroceder.
            Denominamos-nos seres racionais mas nem ao menos utilizamos nossa razão, somos acorrentados, delimitam nosso território, nos ditam as regras a se seguir e nem ao menos somos capazes de nos questionarmos porque as seguimos, deixamos os outros ditarem as regras como se estes fossem melhores que nós, acreditamos na verdade que falaram ser e não na verdade que buscamos. Reclamamos da nossa vida, mas não possuímos coragem para mudá-la e nos julgamos evoluídos mesmo assim.
            Poucos são os que saem da caverna e estes poucos ainda são reprimidos por serem diferentes, somos seres covardes e preguiçosos, estranhamos o que não é parecido conosco, o excluímos de nosso meio, não porque ele não está certo, mas porque julgamos perigosa a mudança, o diferente não deve existir na nossa concepção, lhe rotulamos, lhe expulsamos ou até o matamos. Somos miseráveis e nosso pensamento é retrogrado, mas não os aceitamos como tal, o egocentrismo em que vivemos faz com que não consigamos nos denominar assim e é por isso que é mais fácil excluir o que nos fala isso do que aceitar o lugar onde realmente vivemos: em um buraco.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"O ser bem-aventurado e imortal não tem incômodos nem os produz aos outros, nem é possuído de iras ou de benevolências, pois é no fraco que se encontra qualquer coisa de natureza semelhante." - Epicuro de Samus(341-270a.c.)

Dentro de mim tenho dois lobos. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Entretanto só um deles sobreviverá: Aquele que eu alimentar.
As coisas não vão bem, sinceramente as coisas não estão nada bem. E o pior é não saber o porquê das coisas estarem assim... É algo estranhamente sedutor que me cerca, algo com gosto de querer, algo com gosto de mudança, algo com gosto sei la de quê! Acho que é a idade, acho que são os fatos ocorridos, mas sinto-me completamente perdida quando tanto entendia de mim... Vejo e revejo minhas ações e não consigo compreender porque cheguei até aqui, mas, não eu não quero voltar atrás... Penso que a vida é assim para algumas pessoas, uma eterna mudança, vamos dormir de um jeito e acordamos sem ao menos nos reconhecermos no espelho, sem entender o que aquele rosto que nada parece com nós esta fazendo ali... Não é um novo amor, isso sei, pois amores são tão idiotas que não nos fazer mudar da mesma forma que sinto que mudei, talvez seja uma nova fase que se inicia, não, não estou falando do ano novo, pois acho completamente retrógrado a idéia de que quando passa o dia 31 de dezembro todos são novas pessoas. Para haver mudança faz-se necessário uma revolução interna, não a doxa de que um dia muda tudo. Acho que o que aconteceu comigo foi essa revolução interna, tudo muda de lugar, some completamente de uma hora para outra ou ganha mais força dentro de mim. Se me perguntarem se é isso é bom, responderei que acredito que sim, mas vale ressaltar, não tenho certeza... Acho que ninguém tem uma opinião exata sobre a mudança, ninguém pode afirmar com absoluta convicção sobre ela... Mas para mim ela esta sendo boa e ao término desse texto percebo a mudança ocorrendo, pois percebo que necessito corrigir-me ao que escrevi no começo... Devo negar a idéia de que as coisas não vão bem... Elas vão bem, muito bem, e eu vou bem bem, muito bem, obrigada.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

 "Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. 
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. 
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
 Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito." (Caio F.)

"There's an unceasing wind that blows trough this night"

...


"É certo que sou uma selva e uma noite de escuras árvores; mas aquele que não temer a minha obscuridade encontrará sob os meus ciprestes sendas de rosas" (Nietzsche)