sexta-feira, 20 de maio de 2011

As revoluções na obra Política de Aristóteles.

            Assim como o filósofo anterior, Platão, Aristóteles também dedicou uma parte de seus estudo a trabalhar a filosofia política e, assim como seu mestre, a buscar de alguma forma um modo de governo perfeito e que trouxesse a felicidade em comum a todos os cidadãos. Para executar tal função, o filósofo escreve um livro de titulo Política, onde coloca estas formas de governo, além de outros assuntos tal como a educação do cidadão para a pólis, a finalidade do homem, sobre a natureza da cidade, a escravidão, economia, entre outros assuntos que envolvem a política.

            Quando o assunto é formas de governos Aristóteles nos dá algumas formas que em sua visão parecem serem as melhores, sendo estas analisadas e assim denominadas de acordo com o número de governantes e a sua inclinação para a Justiça. Dentre estas formas, três destacam-se, sendo estas, a monarquia, a aristocracia e a politeia (termo que varia com tradução como democracia ou república), sendo que em uma dessas formas há um único governante que se preocupa com os interesses de todos os outros, na outra um grupo que se preocupa com o bem comum e a ultima onde a multidão governa para o bem comum, respectivamente.
            No livro V da obra, o estagirita demonstra mais um assunto que esta interligado com a política, as revoluções, mas ele não se preocupa apenas em explicá-la, mas principalmente a de se perguntar sobre certos aspectos, para depois concluir algo, ele se importa principalmente em indagar:

“qual é o número e qual a natureza das causas de revolução nas cidades, quais os modos de destruição inerentes a cada forma de governo, quais as formas que os governos abandonam e quais as que eles adotam quando mudam, quais as salvaguardas das constituições em geral e de cada forma em particular e quais os meios que se deve recorrer para salvaguardar cada forma de governo”. (ARISTÓTELES, p. 161)

           
Com estas indagações, Aristóteles começa a demonstrar como as formas de governo, mesmo parecendo governos sem chance de falhas, qualquer um desses governos pode acabar se corrompendo e também gerando revoluções dos que se sentem de alguma forma prejudicados. Estas revoluções, tema central deste texto, ocorrem por dois motivos principais: os cidadãos se revoltam contra o governo com o fim de mudar a forma da constituição estabelecida e/ou descontentes com os governantes, e não com a forma, querem eles próprios governar, sendo que este último motivo é mais comum na monarquia e na aristocracia.
            Isto se dá pela distorção que acontece com as formas de governo, como estes se destroem devido a outros fatores, a fim de que após uma analise do porque de estes se destruírem, possa se chegar a uma forma que seja algo incorruptível ou que seja mais suscetível a se preservar.
             Nesta distorção, devido a fatores dos que governam ou dos que são governados, ocorre a mutação de um governo para o outro, a monarquia pode tornar-se tirania, onde o príncipe que deveria pensar no bem comum começa a pensar no seu próprio bem; a aristocracia torna-se oligarquia, ou seja, os ricos começam a governar apenas para o seu bem, esquecendo-se dos pobres; e até mesmo a democracia, se corrompe, pois esta passa a ser algo que apenas se interessa pelo bem dos pobres o dos mais desfavorecidos. Quando uma dessas formas acaba por tomar o lugar de uma das outras, as revoluções começam a acontecer, pois há pessoas que serão prejudicadas.
            Mas estas revoluções realmente podem mudar algo? Aristóteles acreditava que era a partir dessas revoluções que esses regimes distorcidos poderiam voltar a ser o mais próximo do bem estar comum que tanto almejava, que era através de um exame de como as coisas haviam sido modificadas e corrompidas que estas poderiam ser resolvidas e só via importância em delas falar porque elas possuíam essa potência, que a partir do exame das causas que provocavam essa alteração nas formas de governo, isto seria de total ajuda para que novamente estabelecidos, estes se estabilizassem, a cidade ficasse bem estruturada, e se articula-se a experiência com a vivencia da cidadania. Segundo o próprio se conhecêssemos como os governos se destroem saberíamos como conservá-los.
            Mas o conhecimento dos meios como os governos se destroem não devem ser observados apenas quando isto acontece, mas antes as revoluções devem ser vistas de um modo de prevenção, ou seja, prevenir e não curar, tal como um médico, e é por isso que o mesmo faz essa analogia, do filósofo com um médico, que para curar a enfermidade de alguém deve conhecer o remédio que prescreverá, ele deve conhecer as fórmulas para cura de uma doença, antes de se deparar com a doença. Assim aqueles que “tratam” a cidade devem ser, conhecer as curas e assim prevenir a doença que afeta os governos, sua corrupção.

A ética em David Hume: como os valores são formados.

       David Hume, filósofo escocês da Idade Moderna, foi um grande estudioso da teoria do conhecimento, mas além desse ramo filosófico, assim como outros filósofos da sua época e também de outras épocas, seus estudos não se pautaram apenas nesse ramo filosófico, mas em muitos outros, tal como a ética.
            Mas como ele entende a ética? E como podemos entender os valores de certo e errado para o filósofo? De acordo com o escocês, os valores morais não são dados por alguém e operam como um todo, mas estes valores são valores relativos, o que faz com que o certo e errado seja escolhas que só pertencem a nós decidirmos.
            Um exemplo muito claro e atual e que podemos ver desse tipo de ética subjetiva encontra-se no filme Match Point, do diretor Woody Allen, onde as ações do personagem principais nos fazem colocar em questão se o mesmo agiu de maneira correta.
            No filme mencionado é contada a história de um jovem que acredita que todas as coisas que acontecem não são destino, mas uma questão de sorte e que vale mais ter sorte do que ser bom. Entretanto o que isso tem a ver com as concepções éticas de Hume?
No filme esse jovem acaba por se mudar para Londres onde começa como professor de tênis, mas logo sua vida toma um rumo diferente. Tendo como amigo um jovem rico, este acaba por envolver-se com a irmã dele, fato que irá lhe trazer vários benefícios, visto que esta é de uma família rica e com grandes oportunidades a lhe oferecer. Destarte, o jovem professor de tênis acaba por sentir-se atraído pela noiva americana de seu amigo, que ao terminar o relacionamento e depois de um tempo voltar a Londres, acaba por ter um caso com ele.
Eis o primeiro momento onde podemos perceber uma ética mais relativa, pois em nenhum momento percebe-se a culpa do jovem em ter um caso, assim como também não se percebe que a garota sente-se culpada em ser a amante.
O desenrolar da história também se encaminha para esse pensamento subjetivo de valores morais, ou melhor, sobre o que acreditamos ser imoral. Depois de um tempo tendo um caso com a jovem, eis que a mesma acaba ficando grávida e não aceita abortar e nem ter essa criança escondida, tentando forçar o jovem a abandonar sua esposa e ficar com ela. Em primeiro momento ele promete fazer isso, mas o que engenha é muito contrário ao que prometeu.
Ciente de ter feito a melhor escolha, o jovem decide matar a sua amante para então acabar com seu martírio, e para isso esquematiza a morte de mais uma pessoa a fim de que pareça um assalto e que nada o coloque como suspeita. Eis o que acontece, ele mata uma pessoa que não tinha nada a ver com a história e sua amante, a fim de resolver o seu problema, e tudo é resolvido de uma forma de que ele não seja o culpado daquilo, nem para ele mesmo, pois ele não se considera assim, mas apenas que tomou a melhor escolha que podia.
Mas o que faz com que a idéia de valores seja subjetiva? O que faz com que só achemos que é errado aquilo que achamos que merece essa denominação? De acordo com o filósofo, isso ocorre devido a que tudo esta regido pelas percepções que possuímos sobre determinado assunto, sobre determinada ação e reação.
Age-se de maneira X ou de maneira Y de acordo a como percebemos pelos nossos sentimos as coisas e como formamos em nossa mente a idéia sobre tal assunto. Formamos essas idéias de acordo de como a coisa se dá para nós, de como a desejamos e de como a vemos. Se em nossa mente não possuirmos a idéia de que alo é errado, “pecado” e/ou ilegal, esta coisa não é, pois é através de como a percebemos que tiramos nossas conclusões.
O jovem do filme não percebe o ato de matar a amante como algo ruim, então isto não é ruim, ele percebe como sendo algo bom, pois é a resolução de um problema que lhe aflige. Ele percebe de acordo com a sua experiência, ou melhor a sua primeira impressão sobre aquilo, que não é algo nocivo a ninguém matá-la, mas ao contrário algo muito bom.
De acordo com os sentimentos as pessoas decidem o que é ou não certo, de acordo de como percebem isso, são os sentimentos que fazem-nos ter culpa (um sentimento também) ou não. Que fazem dormirmos a noite sem ter na consciência a idéia de ter feito algo errado, pois eles são os guias do que fazemos, de como julgamos e do que entendemos como bem ou mal. Portanto, na idéia do personagem ele esta certo e não tem nenhuma culpa, pois para ele era melhor seu bem estar (sentimento de alivio e felicidade própria) do que a vida de quem só lhe traria mal.


sábado, 14 de maio de 2011

Hoje acordei com um dor de cabeça horrível e que demorou muito a passar, não do tipo de dor de cabeça de quando você bebe demais, mas com uma dor que não possuía explicação... Sei que parece bobeira e coisa desnecessária de se falar, uma dor de cabeça, mas essa simples cabeça me fez refletir sobre os tipos de dores que sentimos e que nem todas essas dores são físicas ou dessa origem, existem as dores da alma. 
Não acredito que exista alguém que não conheça essas dores, principalmente quando estas tem a ver com sentimentos tal como o amor, a saudade, a perda... Mas quero referir-me a uma dor interna que difere desses sentimentos citados. Vou falar da dor de ser humano, e esta é uma dor terrível, mas que poucas pessoas sentem.
Normalmente as pessoas vivem como se tudo estivesse bom, tudo estivesse certo, acreditando que o seu lugar no mundo é de extrema  necessidade aos outros e acreditando em decisões já prontas, para que não precisem escolher o que é certo e o que é errado, para que desta forma não sofram com ações tomadas erroneamente, pois podem atribuir seus erros a outros. Este tipo de pessoa é chamada por Jean Paul Sartre como safada e covarde.
Safada, porque acredita ser mais importante do que outras, e que sem ela, as coisas não aconteceriam, sem perceber que sua vida nada mais do que algo natural e comum como a de todos os outros. Covarde, pois procura respostas e conceitos já determinados para que possa se livrar de ter que escolher algo e atribuem tudo que fazem a não terem outra oportunidade para ser diferente.
Mas aqueles que não são covardes e safados, sofrem de algo terrível... A dor de perceberem o que são e que suas escolhas são só duas, que ninguém tem culpa pelo que fazem, apenas eles mesmos. Essa dor que em muitos aspectos parece ruim, é o que move aqueles que são a minoria, o que move para que eles vivem em constante introspecção, em constante pergunta do que há de errado com eles?
Não há nada de errado, ao contrário, estes que convivem com a dor de serem humanos são mais humanos do que todos, pois tentam e permitem descobrir um mundo muito além do que dizem, permitem conhecer o verdadeiro lugar que merecem e de suas capacidades. São eles que se permitem escolher e que aceitam que tudo o que eles fazem será de sua responsabilidade, e sendo assim, pensam muito mais em suas ações, pois são eles que sofreram com elas, caso elas estejam erradas.
Sim, é uma dor constante, uma dor que não passa, nem se acalma, mas que é suportável e necessária a todos, pois é a dor que faz com que tudo que se faça tenha um sentido, que faz com que os que a sentem se destaquem no meio daqueles que vivem apenas como fantoches de sua própria história, é essa dor que traz toso o caos, e assim faz com que seja possível o nascimento de uma estrela.