Assim como o filósofo anterior, Platão, Aristóteles também dedicou uma parte de seus estudo a trabalhar a filosofia política e, assim como seu mestre, a buscar de alguma forma um modo de governo perfeito e que trouxesse a felicidade em comum a todos os cidadãos. Para executar tal função, o filósofo escreve um livro de titulo Política, onde coloca estas formas de governo, além de outros assuntos tal como a educação do cidadão para a pólis, a finalidade do homem, sobre a natureza da cidade, a escravidão, economia, entre outros assuntos que envolvem a política.
Quando o assunto é formas de governos Aristóteles nos dá algumas formas que em sua visão parecem serem as melhores, sendo estas analisadas e assim denominadas de acordo com o número de governantes e a sua inclinação para a Justiça. Dentre estas formas, três destacam-se, sendo estas, a monarquia, a aristocracia e a politeia (termo que varia com tradução como democracia ou república), sendo que em uma dessas formas há um único governante que se preocupa com os interesses de todos os outros, na outra um grupo que se preocupa com o bem comum e a ultima onde a multidão governa para o bem comum, respectivamente.
No livro V da obra, o estagirita demonstra mais um assunto que esta interligado com a política, as revoluções, mas ele não se preocupa apenas em explicá-la, mas principalmente a de se perguntar sobre certos aspectos, para depois concluir algo, ele se importa principalmente em indagar:
“qual é o número e qual a natureza das causas de revolução nas cidades, quais os modos de destruição inerentes a cada forma de governo, quais as formas que os governos abandonam e quais as que eles adotam quando mudam, quais as salvaguardas das constituições em geral e de cada forma em particular e quais os meios que se deve recorrer para salvaguardar cada forma de governo”. (ARISTÓTELES, p. 161)
Com estas indagações, Aristóteles começa a demonstrar como as formas de governo, mesmo parecendo governos sem chance de falhas, qualquer um desses governos pode acabar se corrompendo e também gerando revoluções dos que se sentem de alguma forma prejudicados. Estas revoluções, tema central deste texto, ocorrem por dois motivos principais: os cidadãos se revoltam contra o governo com o fim de mudar a forma da constituição estabelecida e/ou descontentes com os governantes, e não com a forma, querem eles próprios governar, sendo que este último motivo é mais comum na monarquia e na aristocracia.
Isto se dá pela distorção que acontece com as formas de governo, como estes se destroem devido a outros fatores, a fim de que após uma analise do porque de estes se destruírem, possa se chegar a uma forma que seja algo incorruptível ou que seja mais suscetível a se preservar.
Nesta distorção, devido a fatores dos que governam ou dos que são governados, ocorre a mutação de um governo para o outro, a monarquia pode tornar-se tirania, onde o príncipe que deveria pensar no bem comum começa a pensar no seu próprio bem; a aristocracia torna-se oligarquia, ou seja, os ricos começam a governar apenas para o seu bem, esquecendo-se dos pobres; e até mesmo a democracia, se corrompe, pois esta passa a ser algo que apenas se interessa pelo bem dos pobres o dos mais desfavorecidos. Quando uma dessas formas acaba por tomar o lugar de uma das outras, as revoluções começam a acontecer, pois há pessoas que serão prejudicadas.
Mas estas revoluções realmente podem mudar algo? Aristóteles acreditava que era a partir dessas revoluções que esses regimes distorcidos poderiam voltar a ser o mais próximo do bem estar comum que tanto almejava, que era através de um exame de como as coisas haviam sido modificadas e corrompidas que estas poderiam ser resolvidas e só via importância em delas falar porque elas possuíam essa potência, que a partir do exame das causas que provocavam essa alteração nas formas de governo, isto seria de total ajuda para que novamente estabelecidos, estes se estabilizassem, a cidade ficasse bem estruturada, e se articula-se a experiência com a vivencia da cidadania. Segundo o próprio se conhecêssemos como os governos se destroem saberíamos como conservá-los.
Mas o conhecimento dos meios como os governos se destroem não devem ser observados apenas quando isto acontece, mas antes as revoluções devem ser vistas de um modo de prevenção, ou seja, prevenir e não curar, tal como um médico, e é por isso que o mesmo faz essa analogia, do filósofo com um médico, que para curar a enfermidade de alguém deve conhecer o remédio que prescreverá, ele deve conhecer as fórmulas para cura de uma doença, antes de se deparar com a doença. Assim aqueles que “tratam” a cidade devem ser, conhecer as curas e assim prevenir a doença que afeta os governos, sua corrupção.