E eis que novamente um político mostra como sua corja é sempre igual, mas dessa vez foi alguém em que eu pensei ser diferente, o governador do estado do Paraná Sr. Beto Richa. Para quem acompanhou as campanhas eleitorais ano passado e também o seu discurso no começo do ano para as escolas, logo pensou que a coisa começaria mudar, que enfim acharíamos um político honesto preocupado com os problemas paranaenses, incluindo os graves problemas da educação. Entretanto, com os fatos ocorridos nos últimos dias, eis que minha visão sobre isso, mudou muito. Não posso entender como uma pessoa que diz preocupar-se com os problemas dos outros e representar os seus problemas a outros para que possam ser solucionados, visto que este ao assumir o cargo deveria estar ciente de seu dever, acaba por tornar-se igual, senão pior do que todos aqueles a quem tanto criticou em sua campanha. Palavras, apenas palavras proferidas por mais um daqueles que mente quando aponta seus ideais, apenas para fazer com que seu público alvo acabe por simpatizar-se com o que diz e assim acreditar em algo melhor que pode ser feito pelas mãos dele.
Para quem não esta entendendo de onde vem a minha revolta contra o Sr. Governador (governador apenas de seu próprio interesse, diga-se de passagem), vou explicar. Nos últimos dias o governador ordenou que se fizesse cumprida as leis da LDB em respeito a educação, isto é, a de todas, sem nenhuma exceção serem cumpridas a risca, sem levar em conta qualquer realidade particular. Isto parece bom, todas as leis cumpridas, isso deve ser algo ótimo, mas não é, e então pergunta-se: Quais as finalidades das leis? Elas são feitas para todos ou apenas para aqueles que as elaboram, assim como lhes é conveniente? Mas voltemos ao assunto das leis da LDB. Uma dessas leis que o governador quer que se faça cumprir de qualquer forma é a da distribuição de alunos nas salas de aula, uma lei completamente absurda a meu ver. De acordo com essa lei, as salas de aula que hoje possuem geralmente 48m², comportam aproximadamente 30 alunos, o que já muito se formos pensar numa avaliação mais específica do aluno que temos, esse número deveria até mesmo diminuir, pois acredito que se possuíssemos menos alunos em cada sala, poderíamos ajudá-los melhor e avaliá-los assim também. Entretanto o que está sendo proposto é absolutamente o contrário, ou seja, querem que as salas de aulas possuam mais alunos do que elas já tem, uma média entre 35 à 45 alunos, levando por base o tamanho de uma sala normal, onde seriam destinados 1m² por aluno e 3m² ao professor, um absurdo completo!
Percebe-se desse modo como o governador preocupa-se com a educação, com a falta de salas de aula nas escolas, tal com dizia antes de ser eleito, mas antes disso preocupa-se mais ainda com o seu próprio bem estar, camuflando um problema criando outro. Não será nem um pouco estranho se daqui um tempo ele comece a dizer e vangloriar-se de acabar com o problema das infra estruturas das escolas, dizendo que agora todos os alunos tem um local para estudar, sem mostrar o que ele fez realmente, mas será que só possuírem uma sala é o suficiente? Do que adianta existir uma sala, se esta esta superlotada e assim sendo faz com que os alunos não possam ser avaliados particularmente? Eu acredito que em nada, mas que só piore a situação.
Além disso, ao mesmo tempo em que essa medida é tomada, outra de grande impacto já esta sendo exercida, e também é contra a educação (estranho não é, por que uma ação de grande proporção não é tomada em relação ao que as rádios estão ganhando do governo para reservarem um horário para colegas do mesmo partido despejarem suas mentiras?), essa ação foi uma adiamento das verbas tanto para construções quanto para projetos de pesquisa no estado, tal como os da Fundação Araucária, e obras que já estavam começadas e com dinheiro em caixa, mas que agora são obrigadas a parar até uma ordem do Estado. O Estado diz que isso é para que sejam analisadas as mudanças e investido o dinheiro nos lugares de maior urgência, que dizem ser as escolas sem infra estrutura, mas isso parece-me mais outra coisa.
Isso não parece realmente política, isso para mim é mais uma atitude egocêntrica do que qualquer coisa, egocêntrica não, mas uma atitude que leva um bem àqueles que estão mais interessados.
O pior mesmo é saber que essas verdades são facilmente esquecidas e daqui a três anos muitos ainda votaram nesses homens que com seus métodos sofísticos, enganam as pessoas fazendo com que acreditem em mentiras, tais como a de dizer que melhoraram alguma coisa, chamo esses homens de homens mesmo e não de políticos, pois político é aquele interessado num bem comum para todos e não apenas para si mesmo.