quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Saudade, esse sentimento que ninguém explica e que todo mundo sabe o que é...Saudades, sentimento que apenas existe por aquilo que quer valer... Aquela falta do que lhe faz bem, aquela falta daquilo que se desejou ter sempre... Saudade daquilo que lhe fez sorrir diversas vezes, daquilo que lhe fez acreditar em um plural, não apenas saudade, mas muito mais. Sentir falta de algo não é tão ruim assim, mas quando sentimos falta de algo é que percebemos que aquilo realmente valeu a pena, e que tentaríamos de tudo para repetir.... Mas muitas vezes a falta que sentimos é ocasionada por nós mesmos, o que torna a saudade ainda pior. Mas existem faltas irreversíveis, que nem o tempo é capaz de suprir. Saudade de alguém que perdemos para a morte e até pessoas que perdemos para a vida. Mas o que realmente a saudade é? Saudade é algo atribuido a algo ruim, como se fosse algo que nos faz quase morrer. É claro que isto acontece as vezes, mas acho a saudade muito mais que isso e não tão malévola como as pessoas dizem. Só sentimos saudades de coisas que nos fazem bem, que faze com que acreditemos em algo melhor, saudade não é algo ruim, mas apenas uma recordação do que realmente valeu  pena viver! 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

E eis que ele que quando chegou em casa, os móveis já não estavam lá. Não havia mais cama, nem sofá, nem uma peça de roupa daquela que há muito tempo lá vivia. Estava tudo vazio, sem cor, sem brilho, sem sabor, estava tudo acabado! E ele sabia que a culpa havia sido de ambos e não havia mais como voltar atrás, pois há muito tempo eles machucavam um ao outro. _Quanto tempo se vive uma vida a dois sem que nada atrapalhe? Ele se perguntava, mas não conseguia resposta.  Amor já não era o suficiente, perdeu-se muita coisa pelo caminho, coisas que se não tivessem sido perdidas seriam diferentes, mas que ele sabia e tinha noção de que não adiantaria mais se lamentar. Já havia acontecido, não dava para voltar atrás.  Tudo parecia claro agora, tudo que faltava antes e que poderia ter sido suprido se eles percebessem os erros que estavam cometendo. _Ah, se fosse diferente, se eu soubesse o que ela sentia e se ela tivesse me compreendido! – mas ela não queria nem mais falar e nem ouvir a voz daquele que ouvira por tanto tempo. Ela disse chega, ela não suportou mais, ela estava morrendo com tudo aquilo. As pessoas não percebem muitas vezes, mas quando ferem alguém com palavras e atitudes, estão matando a alma daquele que agüenta calado todas as agressões causadas e esses danos não possuem remédio, eles ficam lá para sempre... E ele sabia que ambos carregariam essas feridas expostas e abertas pelo resto de suas vidas, mas também ele sabia que não deveria se arrepender do tempo que estavam juntos. No fundo ele sabia que ela fazia parte da felicidade que possuiu por um tempo da sua vida, do tempo onde não importava o resto, mas apenas os dois. Do tempo em que a desconfiança e o ciúme não existiam, do tempo onde apenas palavras doces eram proferidas de suas bocas, do tempo onde apenas o amor já era mais que o bastante.  Ele tinha plena consciência do que havia destruído os dois, os mais ácidos e nocivos sentimentos que cada casal deve suportar e nunca deixar que aconteçam e tomem um espaço que não é deles: a desconfiança e o ciúme. Esses dois sentimentos conseguem muito mais do que parece, eles conseguem com tempo acabar com todos os outros sentimentos que fazem felizes as pessoas, e com eles trazem a mágoa, o ódio e a indiferença ao outro. E quando isso acontece, os resultados são irreversíveis. Ele olhou mais uma vez a casa vazia, ele sentiu hora a hora passar e ele estava sozinho novamente, coisa que não acontecia há tempos. Sentiu falta do sorriso dela e então percebeu que eles deviam ter dado mais valor um ao outro, mas que as pessoas tem o maldito costume de esquecer de fazer.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Entrevista de Armando Antenore, editor-sênior da revista BRAVO!, com Pedro, o Vermelho, um macaco que se transformou em homem. Interpretado pela atriz Juliana Galdino, Pedro é o protagonista da peça "Comunicação a uma Academia", baseada em texto de Franz Kafka. A entrevista integra a seção "Máscara", publicada mensalmente por BRAVO!.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sempre quis a minha liberdade, todo mundo quer ela, afinal depois que os homens deixaram de procurar a felicidade, começaram a buscar a liberdade (Maldito Kant, diga-se de passagem!), mas o que realmente é ser livre? Sempre acreditei que a liberdade era não se prender a nada, a ninguém, a fazer o que quisesse sem se importar com ninguém, mas isso não é tão fácil, melhor dizendo, isso é algo impossível. Sei que quando escrevo isso, você deve estar se perguntando, mas por que impossível? Parece ser algo tão fácil! Mas não é, e posso explicar isso muito facilmente, primeiramente explicando o porquê e depois o que é a liberdade. É impossível a liberdade que queria ter, afinal não somos sozinhos, existem muitas pessoas perto de nós e sabemos que ao lidarmos com pessoas, existem sentimentos e isso significa que não podemos todas às vezes fazer o que queremos; e esses sentimentos também nos fazem negar a vontade de não se prender a nada, pois somos educados sentimentalmente a sempre precisar de alguém, não estou falando de uma pessoa, como se fosse uma alma gêmea, mas de pessoas em geral, amigos, família, todo esse conjugado de pessoas que fomos criados acreditando necessitar. Não estou dizendo que isso é errado, pois como já dizia o filósofo Epicuro, a felicidade está principalmente na amizade, não apenas na amizade, mas parece estranho ser feliz sozinho. Acho que não seria uma boa idéia, pois muitas vezes não suporto a minha companhia, e viver assim para sempre não seria bom, nem ser minha única companhia, nem a de ser completamente lúcida, duas coisas que muitas vezes são insuportáveis. Mas o que então é a liberdade?  Certa vez li que liberdade não era fazer o que se queria, mas querer o que se faz e acho que é a pura verdade. Queremos o que fazemos quando tomamos consciência do que estamos fazendo, quando perguntamos a nós mesmos  se o que fazemos esta certo. Sabemos isso realmente quando agimos racionalmente, quando tiramos o que é nocivo da nossa vida. E assim somos livres, pois queremos o que fazemos, deixando para trás tudo o que nos impedia de voar. Queremos o que fazemos, somos conscientes de todas as nossas ações a partir da nossa razão, da análise dos nossos atos e do que queremos. Ser livre não é se desprender de todas as pessoas e todas as coisas, mas a de refletirmos sobre o que possuímos, fazendo com que possamos dessa forma selecionar o que realmente queremos do que fazemos e o de quem temos, selecionando as frutas, tirando as podres para que não apodreçam as outras.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim 
é multidão:
outra parte estranheza 
e solidão.

Uma parte de mim 
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim 
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim 
é permanente:
outra parte 
se sabe de repente.

Uma parte de mim 
é só vertigem:
outra parte, 
linguagem.

Traduzir uma parte 
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?

(Ferreira Gullar)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Essa noite eu não dormi bem e nem ao menos sei o porquê. Tenho uma noção do porque, mas prefiro não comentar, para que não acabe dizendo segredos que só cabem a mim e a quem eu quiser que saiba. Mas definitivamente não dormi bem. A cama parecia outra, faltava alguma coisa, um sei lá o quê! Era como se estivesse em um lugar que não pertencesse mais a mim, era como se aquilo na realidade fosse meu. E era? Sinceramente, não sei mais dizer, e nem ao menos orgulhar-me e dizer: era meu! Acho na realidade que nada nos pertence, nem ao menos nós mesmos, gente não pertence a gente, objeto não pertence a objeto, nada pertence a ninguém. Mas e se nada não pertence a ninguém, porque insistimos em dizer aquilo é meu... Aquilo é teu? Sempre que vemos algo que gostamos ardentemente logo desejamos possuí-los, e acreditamos normalmente possuir, nos auto-intitulamos donos daquilo, sem vermos quão ingênuos somos acreditando nisso. Se compro um anel, é claro de que de alguma forma ele me pertence, mas não sou dona dele e nada posso exigir de um anel, se é que se exige alguma coisa dele! Não posso dizer que ele é meu porque não fui eu que fiz e porque mesmo se o tivesse feito, não teria tirado os recursos de mim mesma para dizer que é meu. Para que sejamos donos de alguma coisa devemos tê-lo feito por completo, todos os mínimos detalhes, um a um... Nem nós somos nossos donos ao menos... Somos responsáveis pelas nossas ações, mas não completamente, pois sempre haverá coisas que escapam de nosso controle. Não podemos dizer ao nosso corpo não tenha dor, quando ele tem, não podemos nem ao menos pedir a nossa alma calma quando esta se encontra atormentada por outras coisas. Assim é tudo, acreditamos possuir, mas no fundo todas as coisas são livres, elas não possuem dono algum. Somos todos e tudo que há em volta apenas coadjuvantes de algo que nem sabemos o que. Inventamos nomes, figuras, todo o tipo de coisa que nossa mente pode inventar para justificar o que não sabemos. Dizemos amor, mas nem ao menos sabemos o que é exatamente, dizemos ódio e da mesma forma mesmo com mil significados ainda não sabemos o que é e tudo é sempre assim. Não sou dono de mim, não sou dona de ninguém, mas ajo de acordo com algo que acredito governar, mesmo que seja em segundo plano, pois nem sei se algo me governa, sou livre e mesmo assim busco liberdade. Certa vez li em Kant algo que dizia mais ou menos assim: O pássaro mesmo voando deseja voar mais rápido e assim deseja que o ar desapareça, pois é ele que o impede de voar mais rápido. Entretanto o que o pássaro não sabe é que se o ar não existisse, ele jamais voaria. Desejamos ser livres, mas o que não compreendemos é que somos livres o quanto podemos ser, mas existem coisas que tentamos nos livrar que é o que nos fazem na realidade existir. Que graça a vida teria se houvesse apenas coisas boas ou apenas o que quiséssemos que ela tivesse? Ora, nenhuma! São essas coisas que nos alegram e as mesmas que nos dão asas.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Como é bom saber que algo volta ao seu lugar... Voltando para o Santana, voltando para os meus amigos e alunos novamente, e que esse ano seja o melhor. Falando em botar as coisas no seu lugar, é hora de botar o resto no lugar também, não apenas o que foi tirado da ordem certa, mas ajeitar alguns lugares novos para as novas coisas que estão por vir. 

"Nele deve haver alegria na mudança e na passagem" (Aforisma 601 do livro Humano demasiado humano de Nietzsche)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Desde o começo desse ano, muitas coisas me aconteceram, coisas que pareciam nem ao menos terem solução, mas que aos poucos pude perceber que eram menores do que eu imaginavam. Certa vez, uma amiga minha me disse: Ellen, as coisas parecem que nunca vão melhorar, mas elas logo melhoram, e era a pura realidade.  Falar que tudo esta perfeito é exagero, mas posso dizer que as coisas só estão melhorando,fora algumas coisas que ainda tenho que dar um jeito. Fugindo um pouco do padrão do que escrevo nesse blog, mas afinal o blog é meu, então escrevo o que eu quiser, devo agora agradecer àlgumas pessoas. 
O meu muito obrigada àquelas pessoas que tentaram me pisar, àquelas que se acharam no direito de julgar-me, àquelas pessoas que de alguma forma quiseram ver o meu fracasso. Obrigada por isso, pois foi à partir das suas ações que pude ver o quanto as pessoas tornam-se baixas quando algo lhes fere o ego, e com isso saber a pessoa hipócrita que não quero ser. Obrigada por terem me feito compreender um pouco o porquê das pessoas serem tão baixas, mostrando dessa forma as atitudes que naõ quero copiar. 
Obrigada a essas pessoas de alma tão pequena que utilizam-se dos meios mais baixos, e de atitudes tão retardatárias para se sentirem um pouco melhor, pois aqueles que são pouco querem achar que os outros sejam menos ainda, para que dessa forma possam se sentir melhor.
Também devo agradecer a essas pessoas pelo esforço e por perderem seu tempo tentando me prejudicar, mas tenho que conformá-las, foi inútil.Ao contrário do que elas queriam, eu estou muito bem, e não me preocupo mais com qualquer atitude que elas tenham para me prejudicar, pois apenas pessoas muito pequenas ficam remoendo problemas causados por outros, coisas pequenas, tão sujas e baixas que chegam a dar vergonha.
Meu muito obrigada mesmo a essas pessoas, pois à partir de suas atitudes infantis me fizeram levantar ainda mais forte qdo tombo que tentaram me dar, pois apenas os tolos acreditam que com pequenas atitudes conseguiriam derrubar alguém que não é como eles. Tolos só conseguem derrubar outros tolos... Essa é uma lição que muitas pessoas ainda tem que aprender.

“Um homem pode elevar-se pelo pensamento em face da tirania e da morte”(Boécio)

Texto escrito com base em um post do Blog Quebra-Cabeça sem luz.